Alice.

Todos os dias Alice sentava-se no terraço do edifício onde morava, todos os dias, exatamente às 5 horas da manhã. Amava ver o raiar do sol e os pássaros voando sobre sua cabeça, cantavam como se soubessem todos os seus medos e dessem conselhos, ela amava, mesmo sem entender a língua dos pássaros. Ela era o tipo de pessoa que sonhava em sonhar com a liberdade, mas, por ter toda liberdade do mundo nunca pôde sentir o que queria. Sonhava em ser como os pássaros, mesmo tristes conseguiam alegrar alguém com seu canto. "- Mas como posso ser um pássaro se eles voam e eu tenho pavor de altura?" - era uma das suas perguntas frequentes. Admirava o ato de voar, mas, preferia manter-se fixa em algum ponto, deve ser a razão pela qual tatuou uma âncora no seu pulso, irônico demais para quem desejava sonhar em cativar a liberdade. Sua preferência por pontos fixos deve ser um motivo dos quais não conseguiu realizar tal feito. A sensação de não ter nenhum lugar para segurar-se parecia terrível, ficava apavorada só de pensar, mas, mesmo assim, sempre quis prova-lá. Um dos dons de Alice era se confundir em meio aos seus pensamentos, era um misto de sensações e desejos incontroláveis e que nem ela mesma entendia. Viajava em seus sonhos e foi através deles que se tornou tudo aquilo que sempre sonhou, e através dos sonhos conseguiu perceber algo e trouxe para a realidade, Alice era sim um pássaro, como sempre sonhou e como sempre quis se definir, um pássaro preso em sua liberdade, um pássaro que não conseguia sair do seu ninho, um pássaro preso que lamentava, mas, por ser um pássaro e os humanos não conseguirem entender a sua língua, apreciavam o seu canto sem saber nada a seu respeito.

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